Este é um espaço de troca de conhecimento sobre hipertextos e multimodalidade de linguagens.
sábado, 27 de setembro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Memoria da 2ª aula da disciplina Seminário: hipertextos e gêneros digitais. -17/09/2014
Na segunda aula discutimos os conceitos de hipertexto dentro do estudo da linguística. Analisamos o texto “Breve histórico do hipertexto”. Esse texto cita a inicio da trajetória do hipertexto.
Percebemos que os documentos, ao longo da história, passaram por diferentes formatos de suportes de impressão e técnicas de guarda: códex, papiro, rolos e outros, e que diferentes autores desenvolveram técnicas de arquivo e guarda. Cito aqui alguns: Melvi Dewey desenvolveu o método denominado CCD - codificação decimal de Dewey. Vannevar Bush desenvolveu o Memex, semelhante a memória, e, por essa ideia de Bush surgiu, em 1960, por Theodore Nelson ( Ted Nelson) a ideia de hipertexto com o projeto XANADU, o primeiro hipertexto, o texto elástico.
•Douglas Engelbart traz o conceito do mouse e múltiplas janelas, ideia que depois foi utilizada por Bil Gates para desenvolver o sistema de hipermídia.
• Tim Berners-Lee o Word Wide Web (1991) hipertexto aberto.
• Guattari e Deluze o conceito de internet com estrutura de rizomática.
•Os conceitos de LAN, WAN, LAN e o LINK , elementos fundamentais para o hipertexto.
Por fim analisamos o texto DESAFIOS DO TRABALHO COM HIPERTEXTO NA ESCOLA:
APONTAMENTOS SOBRE UMA ATIVIDADE PRÁTICA, de autoria do professor Dr Luiz Fernado Gomes. Nesta análise fizemos uma reflexão sovre o trabalho proposto pelo professor na primeira aula, o qual consistiu em uma produção de restextualização com materia de jornal.
A aula transcorreu como de costume, de forma descontraída e construtiva, o professor Luiz Fernando nos possibilita bastante troca entre turma.
domingo, 21 de setembro de 2014
Memoria – primeira aula 03/09/2014.
Seminário: hipertextos e Gêneros Digitais – disciplina ministrada pelo Professor Dr Luiz Fernando Gomes - UFAL/AL.
A primeira aula ministrada pelo professor Luiz Fernando aconteceu de uma forma bastante descontraída, pois ele é bastante simpático e comunicativo.
Confesso que naquele dia cheguei para assistir à aula um pouco apreensiva, afinal, não entendia do conteúdo da disciplina. Há muito leio hipertexto, mas nunca parei para pensar no seu formato, no seu conceito.
O Professor fez a introdução da disciplina, explicando os principais pontos dos conteúdos do curso, de forma descontraída, isso ajudou bastante para eu me sentir mais a vontade e integrada à turma, onde a maioria está estudando linguística. Eu, de outra área, estava meio que me sentindo uma "estranha no ninho". Mas, tudo bem. Cara e coragem.
No transcorrer da aula não tive dificuldade de entender o que o professor estava explicando, os conceitos de texto, hipertexto, multimodalidade, suas diferenças, suas semelhanças.
O professor pediu que nós nos apresentássemos. Cada qual se identificou dizendo qual a expectativa em relação a disciplina. Nisso, percebi que minha expectativa em relação à disciplina não era diferente dos demais colegas, que é: entender a relação do texto, hipertexto e imagens na busca de sentidos de leitura e escrita em ambientes virtuais.
No decorrer da aula, o professor nos ofereceu alguns materiais, (jornais, tesoura, cola) e pediu que nós, em dupla, produzíssemos um hipertexto conforme os conceitos explanados na introdução da disciplina, no inicio da aula. Eu e uma colega de curso fizemos um trabalho composto de colagem de imagem e texto, seguindo nosso entendimento de do seria um hipertexto. Pensei que nossa composição era um hipertexto cheio de sentidos, ledo engano.
Depois, na aula seguinte, segunda aula, quando da interpretação do trabalho, e depois de ler alguns os artigos que discutem os conceitos de texto e hipertexto, percebi que fizemos uma retextualização, ou seja, construímos outro texto, mas não um hipertexto, na nossa composição. Nosso texto (composição) adquiriu outros sentidos, diversos do texto original da matéria do jornal. Conclui que compomos um novo texto, em uma outra contextualização e não um hipertexto, pois segundo Perfetti e outros autores, o hipertexto pressupõe relações de textos acessados através de links em ambientes virtuais.
Norberta Silva.
Escola-cidadã: espaço de promoção dos direitos humanos e diversidade
Eurípedes Norberta Silva[1]
Resumo
A identidade se caracteriza pelo conjunto de elementos físicos e culturais dos indivíduo. É ela que confere diferenças aos seres humanos e se evidencia na diversidade de contrastes de um indivíduo e outro. Com isso o ser humano se faz diverso. O respeito à diversidade tanto em termos individuais quanto coletivos é o elo que conduz relações pacíficas entre grupos diversos e povos. Sem isso, inevitáveis paradoxos acontecem, preconceitos, discriminação, exclusão ou ainda, a legitimação de um relativismo radical, no que se refere aos valores, o que fatalmente condena a idéia de tolerância. Educar para a diversidade do mundo contemporâneo legitima a construção do ser consciente de que, os seres humanos são iguais em direitos, e, diversos nas suas identidades. Nesse sentido, o espaço escolar é célula geradora de mentes libertas de intolerância e discriminação.
Palavras - chave: Identidade.Direito. Espaço educativo.
Maceió- Alagoas
2011
1 Introdução
Esta reflexão tenta trazer diferentes olhares de autores acerca da convivência dos indivíduo em suas relações.
As diferenças identitárias, a diversidade, muitas vezes geram conflitos culminam muitas vezes em intolerâncias, discriminações, em diferentes espaços de concivencia, principalemente no escolar.
Este trabalho tem o objetivo de trazer reflexões sobre espaço educativo como mecanismo de promoção dos direitos humanos e diversidade, na construção de relações pacíficas. E, ao mesmo tempo, buscar conceitos que elucidam os sentidos das relações humanas na formação do cidadão educado para uma sociedade híbrida e diversa.
A metodologia consiste na reunião de diferentes olhares buscando concepções sobre a construção de uma escola cidadã democrática, que promova à cidadania livre de preconceito, discriminação e intolerância.
Para iniciar essa reflexão faz-se necessário buscar alguns conceitos que sustentam à proposta deste estudo.
1.1 Identidade:
Para a Sociologia, Identidade é o compartilhar de várias idéias e ideais de um determinado grupo. Alguns autores, como Karl Mannheim, elaboram um conceito em que o indivíduo forma sua personalidade, mas também a recebe do meio, onde realiza sua interação social.
1.1.1 Intolerância:
A intolerância é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões. A intolerância pode estar baseada no preconceito, podendo levar à discriminação.
1.1.1.1 Discriminação:
Discriminar significa "fazer uma distinção". Existem diversos significados para a palavra, incluindo a discriminação estatística ou a atividade de um circuito chamado discriminador. O significado mais comum, no entanto, tem a ver com a discriminação sociológica: (conceitos extraídos da enciclopédia livre Wikipedia).
2 Escola- espaço de construção de consciências ética-cidadã-diversa
O espaço escolar é uma célula que gera conhecimento em um processo transformador continuo do indivíduo. Seus atores se desenvolvem nas suas especificidades diversas. Os seres se diferem em suas características físicas hereditárias, culturais e de linguagem.
A linguagem corporal confere o modo de agir do indivíduo, a psicológica resulta na sua personalidade e maneira de pensar e interagir com o outro por o meio da fala, dos símbolos e dos signos. Assim, os sentidos identitários se constroem no indivíduo. O que distingue um ser de outro, além dos traços físicos herdados, é a linguagem prática tanto cognitiva quanto social, aspectos esses que lhe permitem compreender e expressar em diálogo simultâneo, suas diversidades.
Mas o que torna diferente as diferenças? Essa é uma questão que toma tempo na dialética dos fisofosos modernos. Segundo Mikhail Bakhtin(apud Elichirigoity, Maria Teresinha Py. A formação do sentido e da identidade na visão bakhtiniana), A diferença está na “possibilidade de abranger diferenças numa simultaneidade”. Assim, as diferença são forças interativas que necessitam ser conciliadas, a fim de evitar conflitos. Nesse sentido, faz-se necessário compreender que o processo de interação social é permanentemente conflituoso. Nem sempre é possível conciliar, abranger as diferenças das pessoas nesse jogo interativo de interesses. Os conflitos surgem de maneira quase que inevitável pela falta de tolerância do diferente presente em cada indivíduo, esse ser social permeado de sua cultura.
"a posição de cada indivíduo estaria definida conforme o espaço a ele destinado em um determinado ambiente sociocultural (...). Muito da sua dificuldade de inserção social e de expansão de seus horizontes de realização decorre do seu enquadramento num espaço ínfimo para ele reservado e por ele ocupado no cenário social" (CMARQUES, 2001, p. 34).
A sociedade na sua composição diversa, muitas vezes de sentimentos egocêntricos, os indivíduos muitas vezes não conseguem manter pacíficas relações livre de intolerância e discriminação.
Paulo Freire, na sua pedagogia nos sugere pensar sobre tolerância como mecanismo de aprendizagem e relações harmoniosas.
A tolerância genuína,(...) não exige de mim que concorde com aquele ou aquela a quem tolero ou também não me pede que a estime ou o estime. O que a tolerância autêntica demanda de mim é que respeite o diferente, seus sonhos, suas idéias, suas opções, seus gostos, que não o negue só porque é diferente. O que a tolerância legítima termina por ensinar é que, na sua experiência, aprendo com o diferente.(FREIRE, 2005 p. 24)
Nesse sentido, a Escola é um espaço fundamental de educação, socialização e inclusão, que constrói o conhecimento desenvolvendo o ser humano na diversidade do mundo. É nela que se cria a consciência do papel que cada indivíduo deve desempenhar na sociedade e na vida, respeitando os princípios da igualdade e solidariedade, por isso deve a escola ser uma instituição que promova a inclusão social. Na visão de (STANBACK, 1999) a igualdade é o fundamento do ensino livre de exclusão.
“Sem dúvida, a razão mais importante para o ensino inclusivo é o valor social da igualdade. Ensinamos os alunos através do exemplo de que, apesar das diferenças, todos nós temos direitos iguais. Em contraste com as experiências passadas de segregação, a inclusão reforça a prática da idéia de que as diferenças são aceitas e respeitadas. Devido ao fato de as nossas sociedades estarem em uma fase crítica de evolução, do âmbito industrial para o informacional e do âmbito nacional para o internacional, é importante evitarmos os erros do passado. Precisamos de Escolas que promovam aceitação social ampla, paz e cooperação.”(STAINBACK, 1999, p. 26 e 27)
O processo educativo deve ser baseado na cultura das relações solidárias e pacíficas de modo a gerar consciência de alteridade nos indivíduos. E isso só será possível se for adotado práticas educativas de promoção e fortalecimento dos direitos humanos no espaço escolar, no sentido de construir uma rede de apoio para enfrentamento de todas as formas de exclusão, discriminação e intolerância, formas essas que violam os direitos da pessoa humana e macula sua dignidade.
O mestre Paulo Freire nos ensina que: “ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação”. Disso, surge a necessidade de a educação partir da consciência dos direitos que a pessoa humana possui para alavancar a construção do conhecimento e de uma sociedade justa e solidária. Segundo (SILVA, 1995):
“A educação em Direitos Humanos deve lidar, necessariamente, com a constatação de que vivemos num mundo multicultural. Assim, a educação em Direitos Humanos deve afirmar que pessoas com diferentes raízes podem coexistir, olhar além das fronteiras de raça, língua, condição social e levar o educando a pensar numa sociedade hibridizada.” (p. 97)
A escola é um espaço que tem como função social educar seu público para formar uma sociedade para a a paz do mundo. Nesse sentido, o Brasil urge por Escolas Cidadãs Democráticas, conscientes que devem oferecer um espaço de costrução de cidadania aos seus educandos; um espaço que compreenda e respeita à diversidade que se manifesta no contexto sociocultural que ela está inserida. Que promova a construção do saber e também os direitos humanos de forma democrática. Assim (MORIN, 2001) define à democracia:
A democracia é um sistema complexo de organização e de civilização política que nutre e se nutre da autonomia de espírito dos indivíduos, da sua liberdade de opinião e de expressão, do seu civismo, que nutre e se nutre do ideal Liberdade/Igualdade/Fraternidade(...)(MORIN, 2001 p. 108)
É necessário pensar o espaço-escola como sendo centro formador de pessoas tolerantes, cidadãs e autônomas, libertas de qualquer forma de ação que possa atentar contra do próximo.
3 considerações finais
As diferenças identitárias não podem, portanto, ser ponto de convergência para gerar conflitos nas relações humanas. O mundo necessita de escolas educativas, inclusivas, que promovam cidadania e os direitos dos homerns e das mulheres, pessoas humanas, dignas. A prática educativa inclusiva deve partir de escolas cidadãs, onde a igualdade de direito das pessoas seja a base da construção do saber e do desenvolvimento humano. Para tanto, a educação para diversidade é o caminho mais viável na construção de uma sociedade justa, cidadã, solidária e democrática.
Referencias:
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 4 ed.São Paulo/Brasília: UNESCO, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1987. Da tolerância, uma das qualidades fundantes da vida democrática. In: Pedagogia da tolerância. São Paulo: Editora UNESP, 2004.
SILVA, Humberto Pereira da .Educação em direitos humanos: conceitos, valores e hábitos. Dissertação de mestrado – SP – 1995.
STAINBACK, Susan e STAINBACK, William. Trad. Magda França Lopes. Inclusão –um guia para educadores. Porto Alegre: Artes médicas Sul, 1999.
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[1] Documento produzido pelo Núcleo de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Diversidade EAD da Universidade Federal de Alagoas- UFAL
Licenciada e Bacharelada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU e Membro do Núcleo de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Diversidade EAD da Universidade federal de Alagoas- UFAL.
domingo, 14 de setembro de 2014
DO BARRO NASCE ARTE QUE CRIA HISTÓRIAS E GUARDA MEMÓRIAS
DO BARRO NASCE ARTE QUE CRIA HISTÓRIAS E GUARDA MEMÓRIAS.
Eurípedes Norberta da Silva
(UFAL/ICHCA)
RESUMO
Neste artigo discutimos a importância das representações imagéticas do trabalho do artista plástico ceramista, Mestre Vitalino, para a cultura popular brasileira; a cerâmica artística como patrimônio cultural; a arte como artefato social de memória, dos costumes e da cultura popular, em especial, do povo do interior do agreste pernambucano.
Palavras-chaves: Arte; cerâmica; memória e cultura.
ABSTRACT
We discuss in this article the importance of imaging representations of the work of artist potter, Master Vitalino to Brazilian popular culture; cultural heritage; art as social artifact memory, customs and popular culture, in particular the people of the interior of rural Pernambuco.
INTRODUÇÃO
A socialização da arte é um veiculo bastante recorrente para conhecer e definir a cultura e a identidade de um povo.
Desde tempos remotos o homem se coloca, muitas vezes, de forma integral naquilo que faz e, isso, se revela com mais clareza na expressão artística.
O tempo passa, mudam os meios de comunicação e expressão, mas a essência da alma humana continua expressando da mesma forma, seus anseios, medos, costumes, memórias, sua cultura. É por esse viés que vamos discutir o trabalho de Mestre Vitalino, esse artista ceramista que retrata a historia, os costumes e a memoria de seu povo, moldando o barro e transformando-o em arte, a arte da cerâmica, o barro que enrijece pelo calor do fogo, com isso, deixa de ser perene.
[...] Sem o saber, o Homem realizou, nesse longínquo momento, a
primeira reação de sinterização quando, pelo calor, proporcionou
aos minerais que integram a argila a necessária energia térmica
para desencadear todas as reações que a transformaram num
produto cerâmico. (FRASCO, 2000, p.9).
CERÂMICA, HISTÓRIA E MEMÓRIA NA ARTE CONTEMPORÂNEA.
Segundo Aristides Pileggi, a cerâmica é uma “arte universal que representa o espírito de cada época, narrando a marcha do homem sobre a terra, dando sinais de seus costumes e tendências nos mais diferentes povos” ( Poleggi,1958, p.3).
Não se sabe quando surgiu a cerâmica, [...] “O que se sabe, com total rigor histórico, é que, a partir do período neolítico, aparecem fragmentos de cerâmica a demonstrar, de forma inequívoca, a presença humana. Poder-se-á dizer, por isso, que o homem começou a “escrever”, no barro, a sua própria História”. (FRASCO, 2000, p. 9)
A arte remonta as mais antigas manifestações do homem, com os mais diferentes materiais, mas a arte no barro só deixou de ser perene após a descoberta do fogo. Foi quando o homem conseguiu transformar em cerâmica, pelo calor do fogo, suas imagens criadas no barro, artefato que pode vencer o tempo e, por isso, capaz de preservar histórias e guardar nossas memórias.
Além de guardar a sua própria história, o homem anseia buscar sentido para própria vida. Por isso ele faz arte, e, hoje, mais do que nunca, a arte expressa intimidade do ser. Pois, segundo CANTON:
Artistas contemporâneos buscam sentido. Um sentido que pode estar alicerçado em preocupações formais - intrínsecas à arte e que se sofisticaram com o desenvolvimento dos projetos modernistas do século XX -, mas que finca seus valores na compreensão (e na apreensão) da realidade, infiltrada dos meandros da política, da economia, da ecologia, da educação, da cultura, da fantasia, da afetividade. Em vez de uma arte per se, potente em si mesma, capaz de transcender os limites da realidade, a arte contemporânea penetra as questões cotidianas, espelhando e refletindo exatamente aquilo que diz respeito à vida. (CANTON, 2009, p. 35)
Nesse sentido, os desejos do homem estão sendo registrado no fazer artístico, no objeto de arte em toda parte do mundo; em qualquer linguagem artística; em toda forma de arte.
Segundo Spinelli, a arte pode ser considerada como um instrumento mediador de desejos:
Do artista, que de num lado, deflagra a constituição formal da obra e a do público receptor, que anseia pelas formas artística para realizar uma espécie de manobra visual da sua vida simbólica, vestígio de um desejo também criador. Em sua permanência, a obra de arte tem como atributo ser um veículo de mediação, de aspiração e desejo, prestando-se assim, como anteparo para mais de um sujeito: os sucessivos observadores, que poderão, a partir de sua materialidade, reencontrar estados de enlevo que faz acordar, num diapasão de emoções, lembranças e sentimentos (SPINELLI, 1998-99, p.11).
Falar de sentimentos, lembranças, desejos, memórias, é falar da obra de Mestre Vitalino. Mas, para isso é necessário entender a relação da arte com a cultura e como ela se constrói. Assim, buscamos alguns autores para nos ajudar elucidar essas questões.
A relação entre arte, história, memória e cultura é bastante estreita, pois a história muitas vezes se constrói por meio da memória, mas elas não se confundem como bem define, Le Goff, o papel da memória durante a história. Segundo ele, “A memória é onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado por vir o presente e o futuro (Le Goff, 1994, p. 477). Já Maurice Halbwachs em sua obra “ Memória coletiva” afirma que a memória individual não co-existe sem a memória coletiva, pois toda lembrança surge a partir de uma coletividade experimentada.
Percebemos isso quando analisamos a obra de Mestre Vitalino. A arte desse artista é incrustada de histórias; histórias individuais e coletivas que vão se construindo em um tecido de suas próprias memorias. Memorias dos costumes, dos “modos”, dos “jeitos” populares. Esse artista resguardou na cerâmica, artefato milenar, traços de nossa cultura, patrimônio imaterial de nossa identidade.
Depois de dialogar com esses autores, podemos dizer que o Mestre Vitalino, mesmo sem ter conhecimento acadêmico sobre arte no seu tempo, por intuição e sensibilidade foi um exímio expressionista na arte popular. Ele foi um artista que retratou de forma singular e genuína a cultura do seu povo na sua obra, os seus desejos e os dos sucessivos expectores contemporâneos de sua arte.
CONHECENDO O ARTISTA VITALINO, O RETRATISTA DO COTIDIANO NORDESTINO.
O Mestre construindo sua obra.
Vitalino Pereira dos Santos, homem simples da cidade de Caruaru, região agreste pernambucano, cresceu modelando no barro o cotidiano do nordestino, e com isso, se tornou um dos artistas ceramistas mais importantes do Brasil.
A originalidade de sua arte influenciou gerações de artistas ceramistas que hoje tem uma produção que transformou a pequena Caruaru, cidade natal de Vitalino, em destaque mundial na arte popular figurativa.
“ Mestre Vitalino”, assim chamado pelos seus discípulos, nasceu em 10 de junho de 1909. Filho de pai lavrador e mãe ceramista, iniciou sua arte modelando bonecos (seus brinquedos) ainda criança bem pequena. Fazia isso, usando as sobras de barro das peças utilitárias que sua mãe modelava para vender na feira.
Segue aqui o relato do escultor ceramista, Severino, filho de Mestre Vitalino: “Meu pai começou a trabalhar quando criança, aos seis anos... Foi quando ele criou sua primeira peça, um boi... Mas ele fazia boi em casa para brincar, depois criou “o caçado do gato maracajá” . Aí veio uma senhora lá do Recife e comprou essa peça dele, aí ele foi fazendo mais e mais peças, até chegar a cento e dezoito trabalhos”.
O menino Vitalino, além de construir bonecos de barro também gostava de tocar pífano. Lidando com barro e com pífano ele foi crescendo. Tornou-se mais tarde um talentoso artista do barro e da música.
A respeito disso, o escritor Ariano Suassuna faz uma reflexão dizendo: “Eu sempre achei que o problema do ritmo estava muito presente na música e na poesia, é um problema ligado à todas as artes. Por isso, fiquei muito contente quando vi uma vez o grande escultor Vitalino dizer uma frase que nunca esqueci. Ele disse: “ Eu crio pela cadência eu faço o que vejo, mas também o que não vejo”. Esta frase “Eu crio pela cadência”, isto é, pelo ritmo. Essa é uma frase que fiquei tomado de tal admiração quando li, que eu tornei um dos lemas do meu trabalho de escritor”.
Com isso, percebemos que Vitalino trabalhava sua arte de forma interdisciplinar, inspirando outros criadores de arte de outras áreas. Ele construía suas imagens trazendo um dialogo das artes plásticas com música no arranjo de sua obra.
No final dos anos 40, Vitalino se mudou para o Alto do Moura, bairro de Caruaru. Lá ele começou ensinar sua arte aos ceramistas, que na época utilizavam o barro para fazer somente peças domésticas, utilitária. Foi neste período que ele recebeu o título de “mestre” dos seus alunos. No bairro do Moura, ele desenvolveu seu trabalho em um sistema de troca de experiência com seus alunos discípulos.
Seu trabalho abordou cento e dezoito temas ligados ao imaginário e a cultura popular nordestina. Em poucos anos Vitalino ficou conhecido por retratar na cerâmica o cotidiano do seu povo. Suas peças revelam hábitos, crenças, seca, migração, religião com muita expressividade e originalidade. Mas ele nunca se considerou artista. Para ele, sua arte era apenas um ofício que gerava renda para o sustento da sua família.
Mestre Vitalino faleceu em 20 de janeiro de 1963, vítima de varíola, no Alto do Moura, deixando um legado para seus filhos, filhos dos filhos e hoje mais de setecentos ceramistas moldam “bonecos” de barro, traduzindo e retratando a memória e cultura popular da região.
A obra de Mestre Vitalino ocupa espaço nos museus mais importantes do Brasil e do mundo. Nesse sentido, seu trabalho leva retratado nas imagens a nossa cultura para outras gentes, outros povos.
A arte tem esse poder, retratar e registrar as memorias dos “modos”, dos desejos de cada povo e, isso, está sendo registrado no fazer artístico em toda parte do mundo; em qualquer linguagem artística; em qualquer forma de arte.
A ARTE DE VITALINO, RETRATO DO COTIDIANO QUE CONTA HISTÓRIAS.
Para analisar o trabalho de Vitalino, é necessário fazer uma referência à palavra “representação”. Ela nos aponta para vários caminhos de sentidos. Aqui vamos usá-la no sentido de retratar, figurar, delinear, e, com isso, buscar sentidos reais do objeto retratado.
Nossa analise está desprovida de julgamento de juízo, é apenas uma tentativa de decodificar traços mnemônicos no arranjo da obra.
Para analisar um objeto artístico, o ponto de partida é, obviamente, olhar para ele. Olhar o tempo necessário para enxergar detalhadamente o que ele nos mostra. Nisso, interpretar seus códigos buscando sentidos na organização de seus elementos. Isso é o começo, mas não é tudo. É preciso confrontar o que foi visto e interpretado com um conjunto de referências sobre o artista, seu momento histórico, sobre a arte de seu tempo. Analisar a tradição construída no passado que o artista quis incorporar ou negar. No caso de Vitalino, ele quis incorporar na sua obra às tradições do seu povo no arranjo de sua obra.
Associar arte, história e memória parece ser uma forma bastante recorrente na composição de um histórico-cultural-social na contemporaneidade. Nesse sentido, a análise da obra de Mestre Vitalino aqui abordada foge da interpretação iconográfica da imagem. Nossa análise é uma busca de sentidos representados no objeto. Sentidos de memória e de cultura, matérias-primas da poética do artista Mestre Vitalino.
A obra em analise retrata de forma singular os “jeitos” e os costumes do povo nordestino. Vitalino criou na sua poética uma narrativa visual que expressa a vida do homem do campo, das vilas do nordeste pernambucano.
O trabalho de Mestre Vitalino tem importância fundamental para a cultura. Sua obra representa uma brasilidade que dá identidade à arte popular, nos identifica como nação, valorizando nossas as raízes, a essência da cultura brasileira.
A obra desse artista é atemporal, pois, retrata temas muitas vezes universais do cotidiano. Temas comuns que se tornam sempre vivos por inspirar novos artistas e seguidores do estilo de Vitalino. Isso faz com que “o jeito Vitalino” de expressar e representar a cultura passa ser a “técnica” adotada por esses artistas para retratar os “modos” do povo nordestino de hoje e do passado como o Mestre retratava.
Hoje a obra do Mestre da Arte Popular Nordestina tem reconhecimento de patrimônio cultural nacional, com obras expostas nos principais Museus do Brasil e também do exterior, representando a nossa arte genuinamente brasileira.
“Noivos a cavalo”- cerâmica policromada.Figura01
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=FqW2ZTuP0rk
“Os retirantes” – cerâmica polida. Figura 02
Disponível em: http://artedopovobrasileiro.blogspot.com.br/2013/05/mestre-vitalino.html
“Banda de pífano Metre Vitalino” – cerâmica polida. Figura 03 -
Disponível em http://artedopovobrasileiro.blogspot.com.br/2013/05/mestre-vitalino.html
CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Para finalizar nossa discussão, podemos dizer que a Arte do artista ceramista Mestre Vitalino e a de seus discípulos representam a junção de arte, cultura e memória de um povo.
A arte desses artistas populares contam histórias de muitos costumes que ficaram no passado e muitos que ainda continuam no presente. Estes, sendo retratados por seus discípulos e seguidores.
É a arte da cerâmica, artefato milenar, traduzindo com fidelidade a cultura nordestina brasileira.
É o barro contando histórias e guardando memorias do cotidiano da cultura popular brasileira.
Assim, as histórias e as memórias vão sendo contadas ao longo do tempo.
Vão sendo guardadas na representação imagética produzidas por esses habilidosos artistas ceramistas, que fazem do barro matéria-prima de suas obras.
O retrato do cotidiano sendo registrado todos os dias de forma tão peculiar.
Retratos carregados sentidos; sentidos moldados, retratados e revelados pela arte desses sensíveis artistas populares.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬BERGSON, Pietro M. Memoria e vida. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
BOURRIAUD, Nicolas. Estética Realacional. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
CANTON, Katia. Do Moderno ao Contemporâneo. São Paulo: Martins
Fontes, 2009. FRASCO, A. (2000). Prefácio (pp 9-10). In 25 séculos de cerâmica. Lisboa, Editorial Estampa.
FISHER, Ernst. A Necessidade da Arte. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 1959.
HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo: Vértice, 1990
LE GOFF, Jacques. História e Memória. São Paulo: Editora da Unicamp, 2003.
PENIDO, Eliana; COSTA Silvia de Souza. Oficina: Cerâmica. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1999.
SPINELLI, João J. Arte pública subsídio para a pesquisa em artes visuais. In: Artes Visuais – pesquisa hoje. Salvador: UFBA. 2001.
Pesquisa eletrônica/ Sites consultados
Casa Museu do Pontal
Disponível em: http://www.museucasadopontal.com.br/pt-br/mestre-vitalino
Cultura Nordestina
Documentário Mestre Vitalino
Disponívem em: http://www.youtube.com/watch?v=FqW2ZTuP0rk
Disponível em: http://culturanordestina.blogspot.com.br/2007/12/mestre-vitalino-biografia.html
Mestre Vitalino.
Disponível em: http://artedopovobrasileiro.blogspot.com.br/2013/05/mestre-vitalino.html
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Estante: Sintaxe da Linguagem Visual (não-ficção)
Estante: Sintaxe da Linguagem Visual (não-ficção): Donis A. Dondis, 1973, EUA Existe uma sintaxe visual? Existem linhas gerais para a criação de composições? Pode-se falar em elementos bás...
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